Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008

O Mito - Publicado a 10-12-2007

Por vezes acobardamo-nos perante a força esmagadora da Razão da Maioria:
" a razão, quando sózinha, passa a asneira, e dez milhões de asneiras passam a ser a razão, por unanimidade!"

É esta falácia, a que poderíamos chamar "fundamentação quantitativa da Razão" que permite aberrações tão estranhas como o monopólio da cura e da saúde pela medicina alopática oficial ou a autoridade em questões morais de índole cívica, que se reconhece à Igreja Católica, sabe-se lá porquê.
Transcrevo a seguir uma das Breve Notas Sobre o Medo, de Gonçalo M. Tavares, cuja leitura recomendo e que motivou esta reflexão:

O MITO

Desde há séculos que o Mito deixa visível de si apenas um ou outro objecto, uma ou outra narrativa bem contada. Saiu da História e do tempo em que os homens tinham ainda fracos instrumentos de medida e tentou entrar na casa moderna pela porta da frente, aquela que todos utilizam. O facto de agora só o deixarem entrar pela porta da criadagem, não é motivo, por si só, para se acusar de perda de capacidade de espanto os seres racionais. É mais motivo para acusar o Mito, ele próprio, de perda de virilidade, evidente na forma como por vezes parece mendigar que, de uma ponta a outra, o expliquem.

Gonçalo M. Tavares, Breves Notas Sobre o Medo, Relógio D'Água Editores, 2007.

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